segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

50 tons de cinza não é romântico!

Sobre 50 tons de cinza:

50 tons não é romantico. 
50 tons não é sobre BDSM. 
50 tons retrata tudo o que NÃO É BDSM e mostra uma relação extremamente abusiva.
Para quem não sabe, Cinquenta Tons de Cinza foi, inicialmente, uma fanfiction da saga Crepúsculo. O livro fala do relacionamento de uma "recatada moça virgem" que conhece Christian Grey, um empresario milionário que pratica sadomasoquismo e quer que Anastasia seja sua nova submissa. Ela aceita e assina um contrato que estipula, entre outras coisas, quantas horas ela deve dormir por noite, o que pode comer e quantas vezes por semana deve praticar exercício físico. Grey também escolhe sua ginecologista, seu personal trainer, seus seguranças, COMPRA a empresa que a menina trabalha e lhe afasta de todos os seus amigos.
Seria muito bom se fosse um livro que estimulasse os leitores a explorar sua própria sexualidade, ou um livro que desmistificasse os tabus dentro do sadomasoquismo. Mas ao contrario disso, o livro associa o fetiche de Grey por BDSM com os traumas de infância que ele sofreu, como se fosse uma doença que precisa de cura.
A personagem principal, não poderia ser mais cliche. Na verdade ela é uma copia da Bella de Crepúsculo: introvertida, tem baixa autoestima, problemas com o pai... E quando conhece Christian Grey, Anastasia é virgem e nunca se masturbou na vida. Quando inicia a relação com ele, ela não apenas goza milhões de vezes e todas as vezes, como também aceita entrar em uma relação BDSM. Como se isso fosse a coisa mais normal do universo pra quem nem se masturbava antes. Isso faz com que, muitas (muitas) mulheres achem que tem algo de errado com elas.
O relacionamento deles é claramente abusivo: fora o fato de que ele controla até o que ela come e a obriga a tomar anticoncepcional pra que ele não tenha que usar camisinha (?), ele ainda ignora a palavra de segurança, e fica irritado com ela por ela ter dito a safe word. No final do primeiro livro, Anastásia foge pela casa de Grey quando ele ia castigá-la com uns tapas, mas se convence que agiu "errado" com o "dominador" e volta. Ele bate nela com um chicote, e bate mais do que deveria, machuca ela, adorando toda a situação. Ela chora, vai embora, fica brava. Eles voltam (claro!!!). Quando eles se casam, a primeira coisa que ele diz pra ela é "Finalmente você é minha." Quando ela engravida, ele fica puto e some por horas. Entre tantos outros exemplos.. O livro faz com que as mulheres pensem que é normal estar em um relacionamento abusivo. Que é normal se submeter a humilhações e exigências do seu parceiro (e olha que eu to falando "fora" da cama ein). O livro faz com que as mulheres achem que precisam de um homem pra dar um jeito em suas vidas.
Esse livro não é libertador.
Esse livro passa uma ideia errada sobre BDSM.
Esse livro passa uma ideia errada de relacionamentos ideiais.
Christian Grey não é romântico, muito menos "o sonho de toda mulher."
Parem de romantizar a violência.

Texto de Ana Luisa Hickmann

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